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No princípio era o branco. Aos poucos, enquanto o quadro que ornamenta o gabinete do presidente Fernando Henrique Cardoso foi ficando de uma brancura só, as cores venceram a barreira das molduras e transbordaram para as paredes. O colorido chegou tímido, em pinturas lisas, mas com o tempo foi ganhando personalidade e, de grandes telas brancas, as paredes adquiriram status de obras de arte através de barras, listas, texturas que imprimem efeitos especiais ao ambiente - como o de ruínas, por exemplo - paisagens figurativas, imitações de mármore e outras pedras. Os papéis de parede parecem estar com dias contados. "O papel limita a escolha de textura e cor", diz a atriz Cristina Phochaska, sócia do Studio Santa Fé, loja de decoração que presta serviços de pintura. "Com a tinta se faz um trabalho mais personalizado e, muitas vezes, por preço menor".
Barato não é. O metro quadrado varia de 15 a 100 reais. Depende da técnica, do tempo investido e, claro, da mão que maneja o pincel. Laura Pascual tem um desses trabalhos em sua cobertura na Barra, assinada por Jefferson Cabral e projetada por seu sócio na loja de design 999 Studio, o arquiteto Cláudio Bernardes. A piscina de Laura está cercada pelo mar. Em frente, o de verdade. De um lado, o mar pintado por Jefferson. A tela se Reflete na parede oposta, espelhada. Laura Adorou. "Amplia o ambiente e, ao mesmo tempo, suaviza, cria um clima mais aconchegante", diz. "A cor para mim, é vital."
Muita gente concorda, Jefferson Cabral, 30 anos, que estou arte e design na Inglaterra, não pára. Está trabalhando no apartamento do vice-presidente de operações da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e na semana que vem embarca para Nova York, a convite do arquiteto Hélio Fraga para fazer arte na casa de Dewi Sukarno, viúva do ex-presidente da Indonésia. Com técnicas mais simples, como um dragging - que dá um efeito de superfície arranhada - o trabalho de Jefferson torna-se acessível...
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